terça-feira, outubro 17, 2006

Hoje passei pela Paulista e o vi.
Não era alguém que eu quisesse encontrar, mesmo porque... Eu vinha tendo taaaaaaaaanta sorte não o tendo visto desde então.
Mas, eu, dentro da minha adorada Frida, o vi.
Muitos quilos mais pesado, mais barbudo, mas com aquele mesmo jeito de andar, a mesma cara perturbada.
Mesmo sabendo que ele não poderia me ver, me bateu uma vontade de ficar invisível.
Não sinto que fui uma pessoa horrível com ele.
Só não fez o menor sentido nunca.
Não mirávamos os mesmos objetivos, não concordávamos em nada, não falávamos a mesma língua, ao que me parece.
Me irritava a forma como ele sempre tinha que me contar os fatos históricos sobre o filme - como se eu fosse uma ignorante - ou comprava suas opiniões na Veja. Agora aos sábados.
Como não conseguia entrar numa sala de cinema para ver um filme cuja sinopse desconhecesse e que não tivesse total aprovação da crítica.
Como era preconceituoso com ele mesmo.
Não comia comida chinesa porque parecia comida de italiano pobre (!!!!), não conseguia sentir-se à vontade numa mesa onde não se estivesse debatendo algo de importância severa e irremediável.
Não conseguia ter prazer algum, sem se martirizar por não ser um operário, como tinham sido seu pai e seu avô.
No fim das contas, para mim, ele tinha um quê de patético, de abominavelmente caricato. Ele era "O Depressivo", uma personagem "toda de negro" e que "como um homem, honra as botas que veste".
Nada nele era natural ou espontâneo. Subia as escadas, chegava aos lugares, pisando forte, sendo nada além de rude, quando pretendia ser marcante.
Repetia exaustivamente as mesmas histórias, com as mesmas pausas, os mesmos trejeitos, as mesmíssimas palavras. Tudo elaborado demais para apagar o passado de menino pobre da Vila Formosa, mas que só fazia sublinhar o que ele era.
Um bobo da corte.
Muitas vezes, tive a certeza de que era isso que o mantinha sendo convidado para os eventos. Talvez o preconceito seja meu.
Talvez, por eu achar que ele era o bobo da corte e isso era tão evidente pra mim, eu acreditasse que os ditos amigos dele só gostavam de tirar sarro da cara dele.
Essa é uma verdade que eu não vou conhecer.
E quando decidi terminar, estava tão cansada dessa eterna encenação e do drama - além de ter certeza absoluta de que ele era o gay mais gay do lado de cá do Equador - que foi apenas chato. Desagradável.
Eu achava que nos encontraríamos em breve.
De fato, a julgar pelo grau de perturbação do ser, eu achava mesmo que ele ia aprontar alguma.
Mas ele não fez nada. Distância mantida, ok, que beleza.
Na mesma época, também dei uma diversificada proposital em meus ares. O que, como hoje comprovo, só podia me fazer todo o bem que faz.
Muita gente o encontrava e contava. Assim, eu soube que ele tinha encontrado um novo alguém.
Fiquei feliz por ele. Afinal, ela gostava dele mesmo, sempre tinha gostado.
E o tempo passou, a Lusitana rodou. E hoje, eu o vi.
Bom assim.

2 comentários:

Fonseca disse...

Tu vê... São Paulo é uma cidade pequena mesmo! :PPP

Cris disse...

Pois é... eu o vi outro dia na Augusta tb... esqueci de te falar... e lembrei do dia do "puro virtuosismo do Bertolucci que nada acrescenta a obra!"


então tá, né, meu bem?!